Saudade *
Saudade que dilacera
um humilde coração,
onde existe uma quimera
e em que se abriga a paixão.
Saudade sinto de alguém
por quem eu muito chorei:
nada consegui; porém,
nunca, nunca a esquecerei!
Seu nome, constantemente,
eu repito ternamente,
como se fosse uma prece.
Meu coração inda é seu,
porque já alguém escreveu
que um grande amor não se esquece!
* (Poema de adolescente: - não me recordo se esse amor existiu ou se foi apenas fantasia.)
quinta-feira, 20 de julho de 2017
sábado, 16 de janeiro de 2016
HAICAIS*
A UM AMOR
A chuva que cai
lá fora faz-me chorar:
saudades de ti.
A TI, CARO AMIGO
Pensa só no amor
e na beleza da vida,
e serás feliz.
FORÇA
Tenta, tenta sim,
pois o mérito reside
no alcance do fim!
*O haicai é uma poesia japonesa, consistindo de três versos, sendo o primeiro de cinco sílabas métricas, o segundo de sete, e o terceiro de cinco, dispostos rigorosamente dessa forma, não necessariamente rimados, e que encerram uma mensagem e/ou um sentimento.
A chuva que cai
lá fora faz-me chorar:
saudades de ti.
A TI, CARO AMIGO
Pensa só no amor
e na beleza da vida,
e serás feliz.
FORÇA
Tenta, tenta sim,
pois o mérito reside
no alcance do fim!
*O haicai é uma poesia japonesa, consistindo de três versos, sendo o primeiro de cinco sílabas métricas, o segundo de sete, e o terceiro de cinco, dispostos rigorosamente dessa forma, não necessariamente rimados, e que encerram uma mensagem e/ou um sentimento.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Soneto do fim
A gente
de repente
vai.
Cai
o pano.
Abandono
da matéria.
Face séria,
sem cor.
IMOBILIDADE
total.
Final.
Amor.
Saudade.
de repente
vai.
Cai
o pano.
Abandono
da matéria.
Face séria,
sem cor.
IMOBILIDADE
total.
Final.
Amor.
Saudade.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
(Este soneto foi escrito antes dos meus vinte anos ...)
O anoitecer
Lassos da labuta de mais um dia
regressam os camponeses aos lares:
enxadas ao ombro, serenos olhares,
aqui, alguns conversam; lá, outro assobia.
Declina a tarde: além da serrania
perdem-se os últimos raios solares.
Os pássaros trinam, muitos, milhares.
Badalam os sinos: é a Ave-Maria.
Paira no ar suave aroma das flores.
Há em cada coração uma saudade.
Pálida estrela no céu aparece.
Cessam, aos poucos, todos os rumores.
Logo o silêncio a natureza invade.
Desponta, trêmula, a lua ... anoitece!
domingo, 1 de julho de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
HOMENAGENS
2. "Fiat justitia" (a Sávio Soares de Souza)
..........
E o bom poeta foi atirado
pra lá ...
Abruptamente.
Desdenhosamente.
Antipaticamente.
E - pior que tudo -
INJUSTAMENTE.
Antes: relegado, só, num cantinho.
Empoeirado.
Amarrotado.
(Até de cabeça para baixo!)
Fiz-lhe justiça: coloquei-o entre os bons.
Promovi-o, amigo poeta.
Depois, a mão bruta,
desdenhosa,
antipática,
INJUSTA,
arremessa-o no antigo canto.
IGNORANTEMENTE!
(por isso, afinal, perdoável)
Decepcionado, deixo a loja.
(02/71)
..........
E o bom poeta foi atirado
pra lá ...
Abruptamente.
Desdenhosamente.
Antipaticamente.
E - pior que tudo -
INJUSTAMENTE.
Antes: relegado, só, num cantinho.
Empoeirado.
Amarrotado.
(Até de cabeça para baixo!)
Fiz-lhe justiça: coloquei-o entre os bons.
Promovi-o, amigo poeta.
Depois, a mão bruta,
desdenhosa,
antipática,
INJUSTA,
arremessa-o no antigo canto.
IGNORANTEMENTE!
(por isso, afinal, perdoável)
Decepcionado, deixo a loja.
(02/71)
HOMENAGENS
1. "Memento, homo ... " (elegia para um companheiro velho)
Aqui mesmo nesta sala
muitas vezes o via.
Observava-o. Semiencurvado
sobre o amigo livro
ele, meu amigo,
isolava-se de tudo.
Nada ouvia.
Nada falava.
Nada sentia.
Esses momentos vivia-os
para o livro amigo, exclusivamente.
Talvez, mesmo, seu único companheiro.
Seu confidente solitário.
Agora está morto.
"Reversus est ad locum suum."
Agora é nada.
É pó - caído.
Mas ... parece que o vejo:
levanta-se da terra;
resmunga alguma coisa;
bate o pó de sua roupa
e ... corre,
alucinado,
apavorado de si mesmo,
de seu espectro,
de seu cadáver.
Eis que entra por aquela porta.
Sim, lá está ele:
quieto, tranquilo, circunspecto.
Inclina-se sobre o livro amigo,
faminto de novos conhecimentos.
Isolado de todos e de tudo.
Nada ouve.
Nada fala.
Nada sente.
Há um segundo sua cabeça pendeu sobre a mesa;
cansado, adormeceu.
Sim, ele dorme.
Mas não o sono ligeiro.
Meu amigo faz sua sesta derradeira.
E o vejo, dormindo assim,
tranquilamente,
eternamente,
sob a terra que tão bem soube honrar!
E nada ouve,
e nada fala.
E nada, e nada,
pois já nada sente.
(1968/69)
Aqui mesmo nesta sala
muitas vezes o via.
Observava-o. Semiencurvado
sobre o amigo livro
ele, meu amigo,
isolava-se de tudo.
Nada ouvia.
Nada falava.
Nada sentia.
Esses momentos vivia-os
para o livro amigo, exclusivamente.
Talvez, mesmo, seu único companheiro.
Seu confidente solitário.
Agora está morto.
"Reversus est ad locum suum."
Agora é nada.
É pó - caído.
Mas ... parece que o vejo:
levanta-se da terra;
resmunga alguma coisa;
bate o pó de sua roupa
e ... corre,
alucinado,
apavorado de si mesmo,
de seu espectro,
de seu cadáver.
Eis que entra por aquela porta.
Sim, lá está ele:
quieto, tranquilo, circunspecto.
Inclina-se sobre o livro amigo,
faminto de novos conhecimentos.
Isolado de todos e de tudo.
Nada ouve.
Nada fala.
Nada sente.
Há um segundo sua cabeça pendeu sobre a mesa;
cansado, adormeceu.
Sim, ele dorme.
Mas não o sono ligeiro.
Meu amigo faz sua sesta derradeira.
E o vejo, dormindo assim,
tranquilamente,
eternamente,
sob a terra que tão bem soube honrar!
E nada ouve,
e nada fala.
E nada, e nada,
pois já nada sente.
(1968/69)
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